Como é realizado o procedimento

Sob anestesia e sedação conforme protocolo, o radiologista intervencionista acessa uma artéria, geralmente pelo punho ou virilha, navega até as artérias uterinas e injeta partículas calibradas. O objetivo é reduzir seletivamente a perfusão dos miomas, preservando o restante do útero.

Quem pode se beneficiar

É opção para mulheres com sangramento, dor, pressão ou aumento uterino que desejam evitar histerectomia e apresentam anatomia adequada. Avaliação conjunta com ginecologia e radiologia intervencionista deve confirmar diagnóstico, mapear nódulos e excluir contraindicações.

Resultados esperados

A maioria das pacientes selecionadas apresenta redução do sangramento e dos sintomas compressivos, com diminuição progressiva do volume dos nódulos. O mioma não é retirado; ele sofre isquemia e redução. Algumas mulheres precisarão de nova intervenção ao longo do tempo.

Recuperação e síndrome pós-embolização

Cólicas, dor, náuseas, febre baixa e mal-estar podem ocorrer nos primeiros dias e fazem parte da síndrome pós-embolização. Analgesia planejada, hidratação e orientação de sinais de alerta são essenciais. Infecção grave, expulsão de mioma e insuficiência ovariana são complicações menos comuns, mas relevantes.

Fertilidade e gestação

Gestações podem ocorrer após embolização, porém a evidência reprodutiva é menos consolidada e há preocupações sobre reserva ovariana, placenta e desfechos obstétricos. No ensaio FEMME, miomectomia produziu melhora de qualidade de vida maior que embolização, embora ambas tenham melhorado sintomas. Para quem deseja gestar, a decisão deve ser particularmente cuidadosa.

Embolização ou miomectomia?

Miomectomia remove os nódulos e permite reconstrução uterina; embolização evita incisões uterinas, mas deixa os nódulos tratados no órgão. Número, localização, idade, fertilidade, recuperação, risco cirúrgico e preferência definem qual equilíbrio é mais adequado.

AUTORIA E REVISÃO MÉDICA

Dr. Rogério Tadeu Felizi

Médico ginecologista especialista no diagnóstico e tratamento de miomas uterinos. CRM-SP 109.778 · RQE 108856 · TEGO 0471/2006 · Mestre em Ciências da Saúde · Título SOBRACIL · Habilitação em cirurgia robótica.

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Referências científicas

  1. ACOG Practice Bulletin 228 — Management of Symptomatic Uterine Leiomyomas
  2. FIGO Best Practice Guidance — Medical treatment of fibroids
  3. NICE NG88 — Heavy menstrual bleeding: recommendations
  4. FIGO leiomyoma subclassification system
  5. FEMME trial — UAE versus myomectomy, four-year follow-up
  6. FEMME randomized trial — quality of life and clinical outcomes

Publicado em 9 de agosto de 2026 · Última revisão médica: 13 de agosto de 2026. Seleção baseada em diretrizes, revisões e estudos indexados. O autor declara não possuir conflito de interesse comercial relacionado a este conteúdo.